16 de abril de 2005

A CIBERNÉTICA

Em Junho, estreia a minha primeira encenação, em colaboração com a Carlota Gonçalves (que trabalhou noutras peças, como "Clube de Gelo" ou "Amok"...). Um texto original, escrito propositadamente para o espaço da CASA AMARELA (na rua da Boavista, entre Santos e o Cais do Sodré) em Lisboa e para 2 actores de quem gosto: Ângelo Torres (que foi shooting star - à séria... - em Berlim, e que tem trabalhado com diversas companhias nacionais) e a Sandra Celas (peça, "A Conspiração", "Manobras de diversão", além de fiel amiga do cão Max (lol, perdão, não resisti, querida amiga...), na pele de uma jornalista tenaz, entre outros trabalhos ).
As novidades e o diário de bordo, encontram-se no blog: www.acibernetica.blogs.sapo.pt .
Em Junho, quando as noites ficarem mais doces, a história de uma mulher ligada por um cabo ao mundo virtual, em plena alienação. Até ao dia em que um prestimoso funcionário se apresenta para a desligar...
GATOS, CÃES E RÓTULOS

Sai agora mais um livro sobre gatos e os seus donos. Em resumo, faz-se a apologia que por detrás de cada grande escritor... está sempre um gato. Isso diverte-me. Mas também lá poderíamos meter um cão, que iria dar ao mesmo. Existem montes de pessoas que querem por força saber se somos "dog lovers" ou "cat lovers". Aparentemente isto iria caracterizar por via indirecta a nossa visão do mundo. Parece-me a coisa um cadinho limitada, embora se possa equacionar o problema. O Steinbeck fez "Viagens com Charley", calculo que deva ser por isso que era um aventureiro, um homem de acção e por aí fora. Já o povo dos gatos é dado por mais astuto, menos leal e sobretudo, menos previsível. O mito das bruxas e dos seus diabólicos assistentes felinos é um reflexo dessa ideia.
Desde miúdo que tive animais por perto. Cães, alguns apanhados na estrada com pernas partidas e vestidos de carraças, outros grandes e de olhos mansos, muitos rafeiros de paciência curta e dente afiado para os estranhos. Mas também tive gatos. Cinzentos, listrados, brancos... Destes últimos adorava a agilidade e a forma como escolhiam o momento de demonstrar o seu afecto. A independência de roçar por nós e, imediatamente a seguir, saltar para o telhado e ir à sua vida. Muitos voltavam.
Nos cães amava o contrário: a forma como poderiam passar horas com o focinho deitado sobre as nossas pernas, em outra preocupação que não fosse fazer parte da nossa matilha.
Frequentemente dou por mim desencaixado dos rótulos. Não caibo nas listas em que a maioria gosta de pregar as pessoas com alfinetes; no local seguro em que se sabe o que se espera. E nem por isso me dou por menos leal; gosto é de saber que me pertenço.
Deve-me ter ficado esta mania do tempo em que me sentava à sombra de um limoeiro, um cão castanho aos pés, um gato no colo e um livro na mão...

14 de abril de 2005

QUANDO O LÁ EM CIMA EMBIRRA EM CHATEAR O CÁ EM BAIXO

Hoje acordei com o Plutão empoleirado nas trajectórias estelares. Ficou-me a terra pesada e é mais do que certo que vou chegar ao fim do dia cansado de o empurrar para a frente.
Raios partam as páginas de signos nos portais!

12 de abril de 2005

A NOSSA MEDIOCRITAS

Para termos noção da ousadia dos nossos intelectuais basta contar o número de escritores "malditos"; os gajos perseguidos e destruídos pela crítica por ousarem um estilo tão original que causa aversão ao estabelecido. ZERO. Somos zero.
Isto quer dizer que andamos todos a dar passos encolhidos, curtinhos, amedrontados, na literatura, na pintura, no cinema e por aí fora.
Na verdade, desconfio que merecemos o país...inho que temos.
AMÉM 2

O nosso cardeal também veio apelar à rápida canonização do falecido. Segundo ele "Já há notícias de milagres".
Se pensarmos um bocadinho dar-lhe-emos razão: o milagre da multiplicação da sida em muitos países do mundo, com a proibição do uso do perservativo; o do afastamento desgostoso das mulheres católicas e inteligentes que se imaginavam num mundo igualitário; o da proliferação da homossexualidade nos seminários, com a proibição dos jovens padres aspirarem,sequer, ao casamento... Entre outros.
Também calculo que tenha transformado a água de muita gente em vinho, ao pensarem na sua vidinha cheia de proibições em que se pode tudo, menos existir e pensar por si.
AMÉM 1

Pouco a pouco, o Diário de Notícias tem-se vindo a encher de colunistas menores, cujo único critério visível é serem de "direita". As suas palavras nada acrescentam à inteligência e, nalguns casos, atentam contra a nossa. Dito isto, e avançando o meu abraço para os resistentes que ainda por lá andam (sabe Deus com que descoroçoamento, nestes populistas dias...), vou abrir uma excepção e falar dessa criatura que é o João César das Neves. Sim, não vale a pena perder tempo com ele. Já se sabe o que a casa gasta e por aí fora. Mas, em jeito de desabafo, gostaria de partilhar o desconforto contemporâneo, por assim dizer, que me causou a sua última... crónica (?!). Lamenta-se historicamente o homem do flagelo divisionista que foi a Reforma (esse maldito Lutero; o excomungado Calvino) A Igreja "estava desanimada, complexada, à defesa". Foi aí que interveio um "Santo", São Pio V, que "inverteu a situação", com o maravilhoso Concílio de Trento.
Suspiro...
Acreditava eu que não existia ninguém tão fanático que defendesse a Contra-reforma, o crescimento brutal da Inquisição, a perseguição e morte de milhões de pessoas. Mas existe. O descrente em almoços grátis, das Neves, aprova. Não só gostou, como quer ver a coisa de novo. Diz, e bem, que o papa falecido, foi outro "santo" que repetiu o gesto. Um novo contra-reformista. "O impulso apostólico e pastoral de J.P. II mudou completamente o estado de espírito, a atitude dos fiéis (...) O papa deixa uma igreja (...) com a doutrina esclarecida no catecismo (1992), alimentada pelo Jubileu (...), vive num mundo consagrado ao Imaculado Coração de Maria". Muito longe portanto, dos "protestantes" que se distinguem pelo interesse em "descentralização papal e fim da cúria, casamento de padres e ordenação de mulheres, liberdade para o aborto, homossexualidade, divórcio, perservativo, etc...".
Sim, eu sei, são bojardas que não merecem um post... Mas ainda assim...

11 de abril de 2005

FEIRA DO LIVRO DE BRAGA

Amanhã lá vou. De comboio até ao Norte. Ver o Porto a chegar, através da ponte e depois de carro, até um pouco mais acima.
A feira do livro de Braga é uma das que mais acarinha os escritores portugueses. Recebem-nos com a simpatia e a hospitalidade que dantes se associavam a muitas terras e que agora tão raro se encontra. Não nos convidam com cara de frete, como tantos; não se metem a imaginar que os escritores adoram meterem-se à estrada (no caso, à linha) para irem falar de si próprios ou do seu trabalho. Percebem que deve ser um gesto de partilha e respeito mútuo. E, sobretudo, que é a população do concelho quem beneficia mais com estas trocas culturais.
É por isso que é sempre um prazer ir a Braga. Espero que os bracarenses ocorram igualmente a esta feira, por demais merecedora.

5 de abril de 2005

INDIE

É melhor ir metendo férias. A programação deste ano é formidável.
Só para quem gosta de cinema, mergulhar aqui.

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JORNAIS EM ATRASO

Encontro na minha mesa um recorte de jornal. Já tem várias semanas. Já nem me lembro por que o guardei... Deixa lá procurar....

"O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, entregou ontem à tarde o pelouro das Finanças ao vereador do Psd..".... Não era isto, com certeza... "... Na reunião de ontem foi adiada a discussão das propostas relativas, nomeadamente, à aprovação de uma verba adicional de 388,5 mil euros para a construção do túnel do Marquês, justificada com a necessidade de "realização de trabalhos não previstos incialmente", mas não especificados"... Também não me devo ter interessado por isto.... "(...) "Adiada foi também a discussão de uma proposta da vereadora Helena Lopes da Costa relativa à cedência , ao Sporting Clube de Portugal, de duas parcelas de terreno, por um prazo de 30 anos e a título gratuito, para a instalação de dois postos de abastecimento de combustíveis"...
Parece-me tudo normal... não estou a ver o que me terá despertado a atenção nesta notícia minúscula...

4 de abril de 2005

ESCRAVOS-HOJE

Leio na versão portuguesa do "Courrier" que no Niger, África ocidental, existem 43000 escravos. Desde o ano passado que a coisa passou a ser proibida, mas ainda pouco mudou.
"Os cativos descendem de negros subjugados em guerras ou raptados. «As mulheres fazem as tarefas domésticas; o dono nunca levanta um dedo» (...) As crianças escravas podem ser oferecidas ou fazer parte de um dote. Separam-nas das mães, para quebrar os laços familiares. As raparigas são frequentemente violadas pelos donos e obrigadas a casar. Um jornal nigerino contou que um homem foi castrado por desobedecer. Os escravos vivem em abrigos improvisados, ao lado das tendas do dono...".
Por que não sabemos nós mais destas situações? Por que não se interessam os media pelo assunto? Por que nunca ouvimos os nossos condoídos "defensores da vida" e da "dignidade da pessoa humana" a falar do assunto; a recolher assinaturas de protesto; a juntar fundos para apoiar os que no terreno lutam contra esta situação? Claro que são "apenas" pretos sem nada, do outro lado do mundo, mas não poderia a hipocrisia cristã fingir, de vez em quando, que se preocupa com males que já deveriam ter sido erradicados da face da terra?

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30 de março de 2005

JUST DO IT

Este é o país da lamúria. Ó pai, dá-me lá mais dinheiro para fazer muitas peças de 3 dias de apresentação, com textos que só me interessam a mim. Ó tia da cultura, veja lá se arranja um subsídiozinho para eu fazer a curta-metragem que me anda cá dentro... Ó senhor ministro, no dia em que me derem um apoio vou começar a investigar para o meu romance...
As últimas gerações lamentaram-se de não fazerem o que queriam porque ninguém as compreendia ou apoiava. Vamos nós ficar quietos à espera de "serem reunidas condições dignas" para mexermos o cu?
Peço desculpa, mas por mim, vou fazer o que achar que consigo fazer. Será à pobrezinho? Pois vai sendo. Mas não me hão-de levar para a cova, a resmungar que me não deixaram viver ou fazer.
Pergunto a Portugal - ao nosso Portugal atrasado, invejoso e, sobretudo, preguiçoso - não terá chegado o tempo de utilizar a frase do Kennedy e perguntarmos a nós próprios "O que posso fazer pelo meu país?" (e pela minha realização pessoal, já agora) em vez de choramingar o que ele "não faz por mim"?

27 de março de 2005

AINDA MAIS A SUL

A margem esquerda do Guadiana permanece bastante selvagem. E, sobretudo, esquecida. Quem não tem jipe, vai ter de sujar o carro e arriscar a pele no encontro com algum camião perdido (aconteceu-me!) que lhe buzinará a frustração de ter de percorrer terra batida onde se esperaria encontrar (mapa dixit), uma estrada alcatroada.
Posto isto, há o PULO DO LOBO, perto de Serpa, onde as águas se enfurecem no aperto das rochas. Os caminhantes arfam, chapada acima, e casais abraçam-se ("quem é que é o queriducho mais fofinho e corajoso que até traz a sua nina a sítios quase-perigosos, quem é?!").- Mas vale a pena. Os pássaros abundam, das cegonhas aos melros azuis, passando, aqui e além, por uma ave de rapina difícil de identificar. Por todo o lado o sinal vermelho e branco da Caça Turística. As terras a sul de Beja parecem servir apenas para jipes carregados de homens armados passarem os domingos e feriados. Cruzei-me com perdizes mansas que atravessavam a estrada. Calculo que não terão vida longa, a atentar no desgraçado contexto onde se lembraram de nidificar.
Parece-me que este Portugal profundo, cheio de vida animal e desertada pelos seus habitantes mereceria melhor sorte.
Digo eu, que não ganho a vida em S.Bento...
O MUSEU DA CACA depois dos museus que valem a pena.

Vila Viçosa é linda. Cheia de mármore e uma dimensão modesta nas casas que contrasta com a riqueza do material que as cobre e do tempo que já conta.
Esqueço-me sempre que esta terra é tão antiga.
Lá fui ao Paço Ducal, residência desde o século XIV dos duques de Bragança, impecavelmente mantido, pela fundação do mesmo nome (e suponho, da mesma gente...). Vai-se a trote pelos salões, guiados por gente, obviamente pro-monárquica "Esta sala é dominada pelo quadro com a imagem do Rei D. Carlos" - e era verdade, lá estava ele, pintado. MUITO mais magro do que se conhece das fotografias. E até bonacheirão, calculando-se que a coisa tenha sido retratada antes de se tomar de amores pelas cartucheiras, comezainas e mania de pintar navios, enquanto a mulher, D.Amélia, do alto do seu 1.86m, se entretinha como podia- "Todos já reconheceram, a figura da raínha que introduziu o chá na corte Inglesa..." - ninguém, ou quase, o tinha feito, mas isso não o deteve, benza-o Deus e o PPM... "Uma senhora linda" - Pausa aqui para confessar que ou o conceito de beleza varia muito, de pessoa para pessoa, ou Catarina de Bragança era uma beldade... digamos... do tipo Almodovar... - e por aí adiante). Brincadeiras ao largo, vale sempre a pena ver aquele maravilhoso edifício, com todo o seu recheio. E perceber que os "tesouros incalculáveis" que nos são mostrados só podem ser de nós todos. Pois foram os avós dos nossos avós que suaram e morreram para que alguns pudessem laurear a pevide entre os tapetes persas. Adiante.
Foram 5 euros bem dados.
No dia seguinte fui até ao castelo, ver o museu de arqueologia. Comprei, sem querer, bilhete para o museu da Caça (já sem cedilha, numa das placas). O museu de arq. tem um extraordinário espólio, fruto de recolha e doação de toda a região. Os achados são agrupados por zonas de "achamento" e vão dos primeiros povoamentos, até ao século XVI. Claro que a exploração está nas mãos da mesma fundação. Que mantém tudo limpo e bem catalogado.
Infelizmente, a visita é guiada por um velhote, tatebitate, obviamente alfabetizado, já que, enquanto OBRIGA as pessoas a seguirem-no (não deixando ler a informação jazente ao lado das peças) sempre vai largando: "Isto são pontas de seta. Achadas na herdade dos Pardais" ou coisa que o valha e por aí adiante. Quando protestei, fui remetido para "ordens dos patrões" que não podem deixar ninguém à solta. No final de 20 minutos de frustração, fomos postos na rua deste sítio e enfiados numa sala atroz cheia de pássaros mortos e caçadeiras com torneados de prata. Pedi que me dispensassem e fui protestar à entrada dos museus. Aí, foram amáveis e outra pessoa foi de novo comigo VER TUDO. Daí que vá avisando: vão a Vila Viçosa, vejam o museu de arqueologia, mas DIGAM QUE SÓ QUEREM VER AQUELE. Com sorte, alguém vos deixará ler as informações laterais e apreciar o espantoso número de artefactos.
ps: se não resultar, peçam o livro de reclamações. É magia que acontece.
BACK... ENFIM... NA MEDIDA DO POSSÍVEL...

Vou por aí, e tenho vontade de ir publicando fotos dos sítios que encontro, partilhando ideias sobre os lugares e as pessoas. Infelizmente, a portabilidade dos blogues ainda não é (pelo menos nesta versão caseirinha) assim tanta :) E por outro lado, ainda bem. Mais vale deixar que o tempo entre o que me parece e o regresso à base se mantenha. Sempre são umas asneiras que se poupam (lol=.

23 de março de 2005

UMA ESPÉCIE DE FÉRIAS

Por me encontrar em movimento, leia-se: "a trabalhar, mas frequentemente longe de computadores", não posso actualizar o blogue como gostaria.
Espero que seja por uma "boa (escrita) causa" ;)

13 de março de 2005

FARMÁCIAS

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Sócrates não tem coração: estragar assim o fim-de-semana aos farmacêuticos portugueses...
À hora em que escrevo decorrerão por certo reuniões em vários pontos do país. Homens preocupados com o facto de não poderem ganhar rios de dinheiro com a especulação dos trespasses das farmácias suarão. Pessoas tranquilas adormecidas à sombra do "venderemos os medicamentos ao preço que nos apetecer", necessitarão de Alkasetzer (ou de um genérico para o mesmo efeito).
Não há direito de não se deixar enrolar na treta do "perigo para a saúde pública": pois se funcionou desde o salazarismo...! Entram por aí adentro, argumentando que ninguém pede receita de coisa nenhuma nas farmácias desde que haja dinheiro para pagar. Não interessa, SE o farmacêutico quiser PODE negar o medicamento.
Agora, lá vão ter de abrir os cordões à bolsa para pagar a jornalistas que investiguem a vida privada do 1º ministro e do ministro da saúde e que espetem na primeir página tudo o que de comprometedor encontrarem. E se não encontrarem, então que insinuem. Tudo para descredibilizar quem lhes vem roubar os chorudos lucros.
Raios, Portugal está cada vez menos lucro-paradisíaco...!

12 de março de 2005

GOOD OLD HARRY

Está de volta, em Julho (na versão original), para nos livrar da pouca vergonha Daquele Que Não Se Pode Dizer O Nome (não, infelizmente, não é o Santana Lopes...).
A capa, versão adultos é esta:

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O filme sobre o 4º livro, O CÁLICE DE FOGO, também está a chegar. A Rita Skeeter tem este aspecto:

ritaskeeter2.JPG

Mais informações nos orgãos melhor informados sobre o assunto, o veritaserum, e o potterish.

11 de março de 2005

A COISA ÚTIL

Ouço os políticos politicamente correctos a dizerem correctamente que isto da escola tem de mudar. A universidade deve formar operários. No sentido da utilidade IMEDIATA dos conteúdos. Ora, eu já partilhei dessa ideia, não há muito. Mas, quando olho à volta e vejo todas as pessoas cujo trabalho admiro e que se formaram Coisas Muito Sérias E Porque Não Bem Pagas... e que trocaram tudo isso por uma nova profissão, começo a discordar. O problema é que raramente se sabe não só que se quer fazer, como se aquilo que gostaríamos é para nós. Como uma roupa porreira... mas que nos fica mal. A nós.
Acredito que a escola deve ensinar o que interessa aprender. Não deve servir os saberzinhos dos doutores, demasiado preguiçosos para se debruçarem sobre os conteúdos que ministram e os adequarem aos alunos. Não deve ser um "Façam como eu digo, mas não façam como eu faço". Deve sim, dotar os alunos de instrumentos básicos para que constituam os seus próprios saberes. Ensinar-lhes o valor da coragem e a nobreza do erro.
E, crime de lesa-magestade em Portugal, desenvolver-lhes o sentido crítico. Ensinar-lhes que o que "eu estou a dizer neste momento, pode ser verdade, ou apenas a maneira como eu, e outros como eu, pensam, agora".

8 de março de 2005

LANÇAMENTO

5ª feira, na livraria LER DEVAGAR, em Lisboa, às 19 h.

2 novos projectos do site ATMOSFERAS (www.atmosferas.net).

O primeiro da autoria da escritora Filipa Melo, que cruza hipertextualmente as obras de Marco Polo, Italo Calvino e textos inéditos. Palavras-chave dos autores conduzem-nos aos trabalhos plásticos dos ilustradores: Pedro Proença, Joana Toste e João Fazenda. E à fotografia de João Francisco Vilhena. Design, som e interface de Diogo Valério.

Este vosso criado, em dupla missão, apresenta o projecto BURACOS DE DEUS, realizado em conjunto com Carlota Gonçalves. Depois de uma viagem alucinante (trust me...) aos principais textos sagrados da Humanidade, seleccionaram-se excertos que conduzem ao interior de 6 personagens. Algumas delas contraditórias... mesmo face ao seu deus pessoal.
As curtas metragens são protogonizadas pelos actores - entre outros - Ângelo Torres, Maria d'Aires e Carlos Gomes. Interface e programação de Alexandre Bernardo.

Estes trabalhos estarão on-line, na zona FICÇÕES do referido site, a partir do dia 10 (salvo bug em contrário), mas se quiserem vir tomar um copo e provar o queijito, estejam à vontade ;)